Quem
era ele?
Ele era metódico, não saia de sua rotina:
acordava, pegava seu ônibus para faculdade, pagava a passagem, e ia para sua
sala de aula, não conversava e nem respondia as perguntas do professor,
interagia somente com Alice, a menina que ele levava os livros e lhe pagava um
lanche, a menina que ele adorava, ao sair da faculdade, sempre passava no seu
barzinho preferido, pedia seu X-bacon e um refrigerante, as sextas uma cerveja,
ia para casa e dava um oi ao seu vizinho. Em fins de semana ia a jogos de
futebol. Desde seus 17 anos não saia desta rotina.
Mas ninguém, nem ele, sabiam que tinha AIDS, pegou
no parto de sua mãe que nunca conheceu, talvez até percebessem e por isso se
afastavam dele, mas isso o fez decair e consequentemente morrer.
Naquele dia, o motorista não parou em um
ponto, tinha alguém a menos na sala de aula, Alice levou sozinha seus livros e
pagou seu lanche naquele dia, em um bar, ninguém pediu um X-bacon e nem um
refrigerante, no fim de semana sobrou uma cerveja, um cara ficou esperando por
um oi enquanto saia de casa, no jogo da final, a cadeira nº251 estava vazia.
Mas ninguém notou que naquele dia tinha uma
pessoa a menos no mundo. Quem era aquele? Quem era aquele que existia, mas ninguém
notava?

.jpg)